JESUS E A OFENSA

Jesus observava Pedro. O apóstolo, que futuramente seria o líder da comunidade cristã, sentia o coração queimar, diante das ofensas ouvidas de seus familiares.
Os insultos calaram fundo na alma do pescador singelo.
O coração se descompassou.
A pressão subiu.
Seu rosto avermelhou-se.
Sua expressão encrespou-se.
A respiração prendeu.
O olhar nublou-se.
Seus pensamentos perderam a lógica.
Seu corpo assemelhava-se a uma pedra, tão rijo e tenso se encontrava.
O primeiro impulso foi ofender de volta. Dizer as verdades entaladas na garganta seca.
A emoção da raiva lhe havia tomado conta do corpo todo.
Mas, ao virar o rosto, cruzou o olhar com o de Jesus.
A paz irradiava do olhar do Mestre.
Lembrou-se do ensinamento dito no monte: bem-aventurados os misericordiosos, pois alcançarão a misericórdia.
A mente voltou a raciocinar.
Percebeu que seus parentes ainda não compartilhavam dos ideais superiores da vida.
Compreendeu que eles não tinham como agir diferente.
Raciocinou que aquela ofensa, tão mentirosa, havia apenas e tão somente ferido o seu orgulho, nada mais.
Conseguiu respirar fundo.
Seu corpo começou a relaxar.
Sua expressão desanuviou-se.
O olhar conseguiu focar nas pessoas a sua volta.
O coração começou a voltar ao ritmo normal.
A pressão estabilizou-se.
O rosto voltou à coloração normal.
Mentalmente, elevou uma prece ao Pai Criador.
Sentiu que forças invisíveis o amparava.
E conseguiu manter-se calado, sem retrucar a ofensa descabida.
Parou ali a violência verbal que tanto prejuízo causa nos relacionamentos humanos.
Jovem! Quando alguém tentar te ofender, respire fundo. Não perca sua paz de espírito, não adoeça o seu corpo físico, não descontrole os pensamentos. Quem nos ofende está perdido em sua própria lama e luta, sem sucesso, para sair dela. Se não podemos ajudá-lo, que pelo menos não joguemos mais lama em cima dela.
Vinicius Del Ry Menezes