JESUS E AS PROVOCAÇÕES

Jesus, não bastasse estar crucificado, ainda foi obrigado a ouvir diversas provocações da multidão desvairada que assistia ao espetáculo de horror promovido pelas trevas.
Sarcasmos, xingamentos, ironias eram proferidos insanamente, enquanto o Cristo sangrava na cruz.
O Mestre que curara cegos, que devolvera o movimento à paralíticos, que desobsediou diversas pessoas, que multiplicara o pão e o peixe para a multidão faminta, que ensinara as verdades espirituais sem distinção de classe, raça, gênero ou cor, que simplesmente amara tudo e a todos, via-se, naquele momento, diante de provocações descabidas, lançadas contra ele pelo povo desvairado, como se uma insanidade coletiva tivesse tomado conta de todos.
Entre todas as blasfêmias proferidas, uma se destaca:
– Salva-te a ti mesmo e desce da cruz.
Jesus, o Mestre por excelência, não se ofendeu com isso.
Ao contrário de nós, que ainda nos ofendemos com qualquer palavra que aparentemente possa nos ofender, o Mestre não se sentia provocado.
Isso porque, para Jesus, aquela multidão desvairada, insana, provocadora, nada mais era do que irmãos menores, rebeldes, necessitados de amor e acolhimento.
Jesus veio para ensinar o amor para aqueles que não sabiam amar.
Aquela multidão era a justificativa da sua missão divina: nos ensinar a nos amarmos uns aos outros.
Que forma melhor de nos ensinar isso do que se deixar matar lentamente e, no final, ainda pedir a Deus que perdoasse os nossos pecados porque não sabíamos o que fazíamos?
Somente alguém que realmente sabe amar é capaz de tal atitude.
Somente alguém que realmente sabe amar é capaz de ver na provocação do outro um grito de socorro para a suas necessidades íntimas.
Somente alguém que realmente sabe amar é capaz de ver no xingamento do outro um pedido de ajuda disfarçado.
Somente alguém que realmente sabe amar é capaz de ver no desaforo do outro um irmão necessitado de perdão.
E Jesus viu isso naquela multidão. Uma multidão revoltada intimamente, necessitada de acolhimento, solicitando ajuda para as próprias dores íntimas.
Infelizmente, tanto naquela época, quanto hoje, não somos ensinados a nos analisarmos e identificarmos as nossas necessidades íntimas, o nosso lado sombrio.
Por uma necessidade psicológica de crescimento, o lado sombrio se manifesta para que possa ser iluminado e, assim, crescermos espiritualmente. Mas como não o vemos, não o analisamos, não o identificamos e, portanto, não o controlamos, ele se manifesta em provocações contra o outro. Uma manifestação, porém, errada, pois poderíamos identificá-lo antes de manifestá-lo de forma agressiva.
Aquela multidão tinha necessidade de ser salva de si mesma, pois cada um ali caminhava de forma deliberada para o erro e, inconscientemente, sabia disso. Por isso gritavam, ironicamente, para que Jesus se salvasse, descendo da cruz.
E o Mestre os salvou. O Mestre nos salvou. Não descendo da cruz. Mas dando a própria vida, perdoando-nos por amor a nós.
Jovem! Não caia nas provocações que sejam feitas a você. Quem te provoca, seja da forma que for, é um irmão necessitado de amor e acolhimento. Preste atenção e verá que, aquela afronta, é um pedido de socorro disfarçado, camuflado por palavras ofensivas e sarcásticas. Exercite essa percepção e veja como somos capazes de amar o próximo como a nós mesmos.
Vinicius Del Ry Menezes