JESUS E O TEMPO

Jesus viveu apenas 33 anos, sendo que a sua atuação pública, aquela que os Evangelhos narram até sua morte, foi de apenas três anos.
Do seu nascimento até os 30 anos, Jesus se preparou para a tarefa de ensino e redenção da humanidade.
Engana-se quem acha que nesse período o Mestre apenas viveu de forma comum. Não. Nesse período ele trabalhou, ele estudou, ele curou, ele viajou, ele dedicou todo o tempo para se preparar para o momento em que ele teria que, publicamente e ostensivamente, pregar as verdades espirituais a todos.
O início do seu apostolado se deu quando ele foi batizado pelo seu primo, João. Após a prisão dele, Jesus disse:
– Cumpriu-se o tempo e está chegando o Reino de Deus. Arrependam-se e creiam no Evangelho.
Jesus deixa claro que era o fim de uma era para o início de outra. O fim da era infantil para a era adulta, pois agora, de posse do Evangelho, a humanidade atingia a maioridade espiritual e, por isso, seria necessário amadurecer e aplicar os ensinamentos que ele vinha trazer.
Interessante notar que Jesus, em apenas três anos, mudou a face da humanidade.
Em apenas três anos, ensinou profundas verdades espirituais.
Em apenas três anos, curou mais enfermos do que muitos hospitais.
Em apenas três anos, promoveu a desobsessão em mais pessoas do que em muitos centros espíritas.
Em apenas três anos, exemplificou o amor, o trabalho e a caridade em todos os momentos.
E apenas em um dia, marcou a humanidade para sempre, perdoando os homens que o crucificavam gratuitamente, e compreendendo aqueles que o abandonavam para morrer sozinho.
Em tão pouco tempo, Jesus foi capaz de revolucionar o mundo, dividindo-o em antes e depois de sua passagem.
Hoje, temos a sensação de que o tempo corre desenfreadamente. E contraditoriamente, temos a sensação de que não fazemos nada.
Embora hoje tenhamos mais atividades diárias do que no tempo de Jesus, a sensação é de que não conseguimos fazer nem metade do que o Mestre, e depois seus apóstolos, foi capaz de fazer.
Isso ocorre porque, na verdade, temos muitas ocupações e responsabilidades que, no fundo, são apenas distrações sem sentido, que ocupam o nosso tempo, mas que não produzem frutos que possam ser compartilhados.
Agendamos todos os nossos compromissos em torno de ocupações que, muitas delas, não seriam necessárias para vivermos. Daí não nos sobra tempo para as construções espirituais relevantes. Por isso, Jesus disse:
– Busque em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e todas as outras coisas serão acrescentadas a vocês.
Fazemos o contrário: buscamos a matéria e não sobra tempo para buscarmos a nossa evolução moral e espiritual, a única que realmente faz diferença em nossas vidas e nas dos outros.
Jovem! Uma semana tem 168 horas. Será que não conseguimos uma hora semanalmente para frequentarmos uma religião, praticarmos a caridade, lermos um livro edificante, meditarmos, buscarmos o nosso crescimento espiritual? Indo além: será que em uma semana não conseguimos dispor de mais de uma hora para nos dedicarmos à espiritualidade?
Vinicius Del Ry Menezes