JESUS E OS ELOGIOS

O Evangelho de Lucas narra um ensinamento que Jesus proferiu em um dos seus sermões. O Mestre disse:
– Ai de vocês, quando todos os homens disserem bem de vocês, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.
Naquela época, profetas eram os médiuns com capacidade de prever o futuro e que faziam inúmeras revelações, muitas delas pagas. E a população, tão inculta como era, os adoravam, os bajulavam como forma de obterem favores.
Jesus, nesse ensinamento, condena essa atitude, pois ela é baseada em puro interesse.
Aquele que é bajulado, lisonjeado, sente-se superior aos demais, de modo que seu orgulho infla.
Aquele que bajula, que lisonjeia, o faz por puro interesse mesquinho, egoísta.
Dessa relação de interesses não pode surgir uma relação sincera, pura, amiga.
E são essas relações de interesse, baseadas em bajulações, que faz com que muitos se percam em atitudes, no mínimo, antiéticas.
É por meio da bajulação interesseira que muitas amizades surgem, mas que não se sustentam quando os interesses mesquinhos de ambos se contradizem.
É por meio da bajulação interesseira que muitos casamentos são arranjados, mas que não se sustentam quando os problemas diários surgem na relação conjugal.
É por meio da bajulação interesseira que muitos professores e alunos fingem respeito mútuo, mas que não se sustenta quando o aluno demonstra uma capacidade cognitiva maior do que a do professor.
É por meio da bajulação interesseira que muitos profissionais incompetentes são promovidos em seus ambientes de trabalho, mas que não se sustentam a longo prazo, uma vez que não possuem as qualidades requeridas ao cargo.
É por meio da bajulação interesseira que muitos políticos conquistam eleitores e que eleitores conseguem privilégios, prejudicando os bens públicos, pertencentes a toda a população.
A bajulação, a lisonja, são as falsas expressões de amizade e de estima com as quais uma pessoa ilude outra.
No fundo, é uma manipulação que um dia cobrará seu preço.
Jesus já alertava para isso. Não à toa, alertou-nos para que não nos orgulhássemos quando fossemos bajulados, pois a queda moral seria a mesma dos falsos profetas da antiguidade.
A queda moral por causa da bajulação é das mais dolorosas, pois quando a ilusão se dissipa, percebemos que, no fundo, fomos usados, manipulados, sobrando apenas a vergonha dos outros e a raiva contra si próprio.
Claro que existe o elogio sincero, que em nada se assemelha à lisonja e à bajulação.
O elogio sincero é assertivo e sem interesse.
A bajulação é rebuscada e interesseira.
O elogio sincero liberta.
A lisonja escraviza.
Jovem! Não se iluda com as bajulações e lisonjas com que tentam te manipular. Tampouco, não pratique essa forma interesseira de conseguir alguma coisa para si. Caso precise de algo, peça, sem mentir por meio da bajulação. Caso seja bajulado, sorria e passe, sem se iludir com o que foi dito. E se desejar, sinceramente, elogiar alguém, o faça de forma espontânea e simples, como Jesus o faria.
Vinicius Del Ry Menezes